Devoção e espiritualidade do Sagrado Coração

Devoção e espiritualidade do Sagrado Coração

Caros irmãos (as) Filhos diocesanos;

Estamos no mês de junho, mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus. Na bíblia, quando se fala em coração, está se falando da pessoa toda. Nós também utilizamos a expressão, quando queremos falar de uma pessoa boa, que fulano tem um bom coração.

A primeira carta de S. João nos ensina que: “Nós conhecemos e acreditamos no amor de Deus por nós. Deus é amor, e quem permanece no amor, vive em Deus e Deus nele”. (1 Jo. 4, 16). Celebrar o Sagrado Coração é estar envolvido por este amor de Deus. No coração de Jesus, encontramos o amor sem limites de Deus por nós.

A partir do amor, podemos entender a devoção e espiritualidade do Sagrado Coração de Jesus. No Sagrado Coração de Jesus, nós encontramos e fazemos a experiência do “exagero” do amor de Deus por nós. Ele para nos salvar, envia seu filho Jesus, que foi capaz de deixar rasgar (abrir, transpassar) seu coração para que  conhecêssemos a profundidade  do amor do Pai. No coração transpassado, conhecemos Jesus por dentro. E pelas frestas do Coração de Jesus, conhecemos o coração do Pai. Diante desta imensidão de amor, o meu amor e a minha doação não são nada, a não ser, resposta ao amor extremado de Deus por mim e por nós. O Papa Francisco fala que Jesus é o rosto misericordioso do Pai. Nós podemos parafraseá-lo e dizer que Jesus é o Coração misericordioso do Pai (Lc. 15).

Estamos na escola do amor: Diz Erich Fromm, “O amor não é apenas um sentimento ou algo voltado a uma pessoa; o amor é uma orientação de caráter, que determina a relação de alguém para com o mundo como um todo, e não para com um objeto de amor. Se alguém ama apenas uma pessoa, e é indiferente ao resto de seus semelhantes, seu amor não é amor, mas uma troca de afeto, ou um egoísmo ampliado”.

Como é profunda a espiritualidade do Coração de Jesus! São Paulo diz com todas as letras: “Cristo me amou e se entregou por mim” (Gl. 2,21). Esta deve ser a minha experiência pessoal. O Sagrado Coração de Jesus é uma síntese acabada de toda uma vida de serviço e dom. Ter devoção ao Coração de Jesus não é só olhar para o seu coração  transpassado, mas olhar para a sua vida de intenso amor e entrega pela humanidade, sobretudo pelos que são menos amados.

Os Papas sempre falaram sobre o Coração de Jesus: O Papa Pio XI, dizia que “A espiritualidade do Coração de Jesus é a síntese de toda religião Cristã e o caminho de uma vida mais santa e perfeita”.

O Papa São João Paulo II dizia: “A nova Evangelização, à luz do Sagrado Coração de Jesus, deve conscientizar o mundo de que o Cristianismo é a religião da misericórdia, da esperança e do amor”.

O Papa Bento XVI ressaltou: É tarefa sempre atual para os cristãos continuar aprofundando sua relação com o Coração de Jesus para reavivar a fé no amor salvífico de Deus. Para o Pontífice, “o lado transpassado do Redentor é a fonte para alcançar o conhecimento verdadeiro de Jesus Cristo e compreender o que significa conhecer em Jesus Cristo o amor de Deus, experimentá-lo tendo o olhar fixo nele, até viver completamente da experiência de seu amor, para poder testemunhá-lo aos demais”.

O Papa Francisco ao falar sobre o Sagrado Coração de Jesus, diz que: o Senhor dá a graça, a alegria de celebrar, no coração do Seu Filho, as grandes obras do Seu amor. Pode-se dizer que a festa do Sagrado Coração é a festa do amor de Deus em Jesus, do amor d’Ele pelo ser humano. Há dois traços do amor, diz o Papa. Primeiro: o amor está mais em dar que em receber. Segundo: o amor está mais nas obras que nas palavras.

Outro sinal particular do amor de Deus é que Ele está sempre nos precedendo e nos espera sempre. Seu amor sempre acontece por primeiro. Nosso amor é sempre resposta ao amor de Deus.

Padre Chevalier, fundador dos Missionários do Sagrado Coração dizia que: “A devoção ao Sagrado Coração de Jesus é a essência do Cristianismo e resume todas as outras devoções. O Coração de Jesus é o amor de Deus, o próprio Deus encarnado. Deus é amor”.

Padre Chevalier vê no coração de Jesus transpassado, donde brota sangue e água, a fonte de todas as graças e o remédio para todos os males do mundo. Dizia ele: O mundo seria melhor e mudaria muita coisa em nossa vida, se a pessoa humana cresse verdadeiramente, no amor de Deus.

1)         Como será o nosso crer no amor de Deus? De coração ou da boca para fora?

2)         Por que o processo de nossa conversão ao Coração de Jesus é tão lento?

Jesus Manso e humilde de coração – fazei o nosso coração semelhante ao vosso.

Textos bíblicos: Mt, 11, 28-30

Servi ao Senhor com alegria!
Dom Manoel Ferreira dos Santos Jr, MSC.
Bispo Diocesano de Registro