Palavra do Pastor – Mês de agosto

O fundamento de todas as vocações está no amor: amor de Deus por nós. Quando nos sentimos vocacionados também nos sentimos amados, chamados para uma missão e chamados para amar. Amor se corresponde com amor. Todas as vocações estão incluídas neste amor. Seja para o matrimônio, para a vida leiga missionária ou para a vida consagrada e sacerdotal.
Neste texto, quero falar aos vocacionados à Vida Consagrada, são os religiosos (as), que deixaram tudo, para seguir mais de perto o Senhor. Deus conhece o nosso coração, nossa generosidade e as nossas feridas e pecados. Os vocacionados à Vida consagrada, não são pessoas mais perfeitas do que as outras que não se sentem chamadas a esta vocação. Talvez até, Deus os chamou para estar mais perto Dele, porque sabendo de suas fraquezas, achou um jeito de os salvar e os tornar mais felizes. Assim, Deus os incluiu no processo de salvação.
A vocação acontece num processo dinâmico. Ela necessita de ser cuidada e cultivada em todas as fases da vida. Não acredito na ideia de que fomos chamados, e pronto, estamos seguros. A vocação não é assim. Sim, somos chamados um dia, através de uma experiência profunda e forte de encontro com Deus. Este encontro mexeu com todas as nossas estruturas, nos tornou mais amados e nos fez responder prontamente a Deus.
A resposta aquele chamado, foi naquele momento, com as estruturas que cada vocacionado possuía. Como em cada momento vamos sendo transformados, precisamos todos os dias ou de tempos em tempos, novas experiências de encontro e intimidade com o Senhor, para não perder a alegria de estar com o Ele e ouvir constantemente o seu chamado. Neste sentido, a vocação se ganha e se perde, se não for cultivada.
No Evangelho, encontramos claramente o sentido da missão de Pedro. Ele é fruto do amor. No Evangelho de João vemos Jesus perguntar a Pedro por três vezes: “Simão tu me amas? Apascenta os meus cordeiros” (Cf. Jo, 21, 15-23). Jesus poderia ter perguntado a Pedro, depois da ressurreição, poque o teria traído, ou porque Simão Pedro não teve coragem de dizer que era seu discípulo. Mas não, “Simão Pedro tu me amas?” É a pergunta que Jesus faz sempre a cada vocacionado(a).
Neste evangelho (Cf. Jo, 21, 15-23), nos chama a atenção a profundidade do chamado de Jesus. Ele já tinha dito, que o Simão filho de João, seria chamado de Pedro (pedra), em que edificaria a sua Igreja. Este seria o nome que usaria em sua missão. Porém, quando Jesus chama, o mais importante não é a missão, mas a profundeza do ser. Ao perguntar do amor, Jesus volta ao nome de Simão. Simão tu me amas? Aqui compreendemos que a nossa relação com o senhor não passa pelo cargo que ocupo, ou mesmo pela opção que fiz, por aquilo que sou.
O amor para ser de verdade, necessita de alguns fundamentos:
1. O amor exige proximidade e intimidade: o vocacionado sem oração pessoal e comunitária não se sustenta na vocação. Muitos abandonam a vocação por falta de oração e intimidade com Deus. E quando alguém abandona, pode saber, já faz tempo que não reza;
2. O amor exige perseverança e fidelidade: Nós sabemos que na Bíblia encontramos a fidelidade de Deus para com seu povo, mas nem sempre de seu povo para com Deus. Facilmente, nós podemos abandonar a Deus. Buscar deuses que nos satisfaçam, mas que não nos levam a verdadeira felicidade. Constantemente temos saudades das “cebolas do Egito” e queremos voltar a vida antiga, quando não cultivamos a fidelidade. É preciso manter o caminho certo, mesmo que outros caminhos nos pareçam mais atraentes;
3. O amor exige inclusão: pelo amor senti-me amado e por isso quero levar outras pessoas a fazerem a mesma experiência que fiz. Sei que fui “misericordiado” por Deus, por isso, apesar dos pecados e limites meus e dos outros, quero incluí-los na misericórdia de Deus para que participe comigo da mesma experiência;
4. O amor exige renúncias: Quando somos amados por alguém, temos que renunciar a outros amores. É preciso escolher o amor que mais me satisfaz e me torna mais feliz, o amor mais profundo e verdadeiro em minha vida;
5. O amor exige paixão: Estar sempre apaixonado pela pessoa amada. O vocacionado, bispo, padre, religioso(a), seminarista, leigo(a) deve estar sempre apaixonado pelo Cristo e pelo Reino de Deus. É a paixão por Deus e pela sua causa, no caso, a evangelização. Dizia São Paulo: “Ai de mim se eu não evangelizar. O amor jamais passará”.
Com esta simples reflexão, neste mês vocacional, quero perguntar a você: sua resposta vocacional está valendo a pena? Você está correspondendo ao chamado amoroso que Deus te fez? O seu jeito de ser e de viver, tem atraído outras pessoas a serem vocacionados com você?
Se não está, ainda dá tempo de retornar ao primeiro amor e cultivá-lo em sua vida. Siga em frente, vale a pena!

Servi ao Senhor com alegria!
Dom Manoel Ferreira dos Santos Jr, MSC.
Bispo Diocesano de Registro